Javier Bardem brilha na estreia de 'El Ser Querido' em Cannes
O Festival de Cannes viveu neste sábado (16) uma de seus dias mais estrelados, com Javier Bardem na estreia de 'El Ser Querido', além das atrizes Kristen Stewart e Julianne Moore.
Bardem protagoniza o filme do espanhol Rodrigo Sorogoyen, no qual dá vida a um cineasta famoso que se reencontra com a filha, atriz, a quem propõe um papel.
Com um elegante smoking e gravata-borboleta preta, o ator vencedor do Oscar saudou o público antes de posar no tapete vermelho com o restante da equipe.
"El Ser querido" começa com uma sequência de cerca de vinte minutos em que pai e filha (Victoria Luengo) se reencontram pela primeira vez em mais de uma década.
"Foi uma cena rodada em tempo real, baseada na improvisação, mas com uma estrutura muito clara sobre o que tinha que ser dito e para onde tínhamos que conduzir a cena", explicou Bardem em entrevista à AFP antes da exibição.
- Segunda Palma de Ouro? -
Neste sábado também foi a vez de outro filme muito aguardado: "Sheep In The Box", do japonês Hirokazu Koreeda, que já tem uma Palma de Ouro por "Assunto de Família" (2018). Com essa história sobre um casal que adota um robô humanoide exatamente igual ao filho falecido, ele pode conquistar um segundo prêmio.
O cineasta japonês é frequentador assíduo da mostra e já esteve em competição em quase dez ocasiões. Foi recompensado várias vezes, como com o Prêmio do Júri que recebeu por "Pais e Filhos" (2013).
Outro habitué da Croisette é o americano James Gray, que desta vez disputa, pela sexta vez, o prêmio mais importante.
Seu "Paper Tiger", estrelado por Scarlett Johansson, Adam Driver e Miles Teller, conta como dois irmãos que perseguem o sonho americano acabam em uma perigosa rede ligada à máfia russa.
Outra estrela de Hollywood que atraiu todos os holofotes foi a atriz Kristen Stewart que, ao lado de Woody Harrelson, protagoniza o filme francês "Full Phil", do frequentemente extravagante Quentin Dupieux.
Na produção, um pai e uma filha enfrentam uma crise em uma cidade tomada pelos "coletes amarelos", em uma espécie de versão oposta a "Emily em Paris".
- "Fórmula secreta" -
E em uma conversa em paralelo ao festival, a atriz americana Julianne Moore instou as mulheres a se unirem para aumentar sua presença nas telonas, já que o número de protagonistas femininas nos filmes de maior bilheteria caiu para 37%, 10% a menos em um ano.
"Não é algo endêmico apenas da indústria cinematográfica, é global", disse Moore, após receber o prêmio Women In Motion do grupo de luxo Kering.
"Não há representação na mídia, não há representação no ensino superior. Há muitas áreas em que não temos a representação que merecemos", acrescentou a atriz, vencedora de um Oscar por "Para Sempre Alice" (2014).
"Como podemos mudar isso? Lentamente, de forma constante, levantando a voz, usando seus privilégios, contratando mais gente, falando de alianças", disse Moore.
"Sinto que nós, mulheres, somos as melhores aliadas umas das outras, e essa é a fórmula secreta".
H.Oommen--BD