Líder opositora María Corina Machado retorna à Venezuela
A líder opositora e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz María Corina Machado voltou à Venezuela, confirmou a própria dirigente neste domingo (25), após quase um ano no exílio.
"Estou aqui. Com vocês", escreveu em uma mensagem no X.
Machado, de 60 anos, havia feito anteriormente pelo menos sete tentativas infrutíferas de voltar à Venezuela, segundo fontes de seu partido.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse não estar ciente de sua chegada, mas expressou o desejo de que ela esteja em segurança.
"Não sei nada sobre isso, mas acho que ela é uma mulher muito agradável. Ela me deu seu Prêmio Nobel, então como posso dizer outra coisa? E espero que esteja em segurança. Estamos indo muito bem na Venezuela", declarou Trump a jornalistas.
— "Aqui está o seu povo" —
Machado foi neste domingo à igreja de Santa Rosa, em Barquisimeto, cerca de 400 km a oeste de Caracas, para agradecer à Divina Pastora por seu retorno ao país, informaram seus porta-vozes.
"Aqui está o seu povo, María", gritaram para ela ao entrar no templo, segundo imagens divulgadas nas redes sociais por sua equipe, nas quais ela aparece vestindo uma camiseta branca e jeans, cercada por apoiadores, alguns deles chorando de emoção.
Machado deixou a Venezuela em dezembro de 2025 para receber o Prêmio Nobel, depois de passar quase um ano na clandestinidade e em meio à onda de prisões desencadeada pela controversa reeleição de Nicolás Maduro em 2024.
Seu aliado Edmundo González Urrutia comemorou seu retorno. "Venezuela! Estou muito emocionado em anunciar a vocês que nossa líder, minha querida María Corina, está em território venezuelano. Hoje é um dia muito importante para os venezuelanos", escreveu no X.
"Muito em breve estarei com vocês e com ela para que nosso país avance verdadeiramente rumo à liberdade. Vocês sabem, isto vai até o fim", acrescentou.
González Urrutia foi o candidato de Machado nas eleições presidenciais realizadas em 28 de julho de 2024 e reivindica ter vencido aquele pleito.
Machado retorna ao país nove meses após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos e após sua vice-presidente, Delcy Rodríguez, assumir o cargo de presidente interina.
Milhares de venezuelanos marcharam na quinta-feira em várias cidades do país para exigir seu retorno. Seu partido, Vente Venezuela, pede a realização de eleições presidenciais em 2027.
Delcy Rodríguez, que governa sob forte pressão de Washington, afirmou que serão realizadas eleições na Venezuela, mas não especificou uma data.
Enquanto isso, seu governo e um setor da oposição mantêm uma mesa de diálogo para uma transição. Machado não foi convidada para essas conversas, mas afirmou que não as obstruiria.
Muitos dos dirigentes do partido Vente Venezuela voltaram recentemente do exílio, para onde foram depois de uma onda de repressão pós-eleitoral que deixou 28 mortos e mais de 2.400 presos, incluindo dezenas de colaboradores de Machado.
O partido também exigiu o fim da inabilitação política que impediu Machado de se candidatar à Presidência.
A legenda reiterou essa exigência depois que uma magistrada do Supremo Tribunal confessou ter sido obrigada a assinar a inabilitação de Machado porque seus irmãos e sua cunhada, que são militares, haviam sido detidos.
C.Jaggi--BD