Eleição no norte da Inglaterra pode ser decisiva para o futuro de Starmer
Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester e principal rival do primeiro-ministro Keir Starmer dentro do Partido Trabalhista, tentará nesta quinta-feira (18) ser eleito deputado. Para desafiar o chefe de Governo, cuja liderança é questionada dentro da legenda, ele precisa conquistar uma cadeira no Parlamento britânico.
Para ingressar na Câmara dos Comuns, Burnham, de 56 anos e ex-ministro da Saúde, disputa uma eleição legislativa suplementar em Makerfield, distrito próximo a Manchester, no norte da Inglaterra.
Considerado a figura política mais popular do país após comandar a Grande Manchester desde 2017, Burnham é visto como um possível sucessor de Starmer, que levou os trabalhistas de volta ao poder com uma vitória esmagadora nas eleições de julho de 2024, mas cuja popularidade caiu devido a erros políticos e diversas controvérsias.
Em um debate eleitoral realizado em 5 de junho, Burnham disse aos eleitores que, se fosse eleito deputado, tentaria "representá-los no mais alto nível possível", em uma referência implícita ao cargo de primeiro-ministro.
- Disputa com o Reform UK -
A disputa promete ser difícil contra o candidato do partido de extrema direita Reform UK, o encanador Rob Kenyon.
Os eleitores desse distrito, tradicionalmente um reduto seguro dos trabalhistas, deram amplo apoio ao Reform UK nas eleições locais de maio.
Apesar do resultado, pesquisas recentes apontaram Burnham à frente das intenções de voto, seguido por Kenyon.
Para desafiar o líder trabalhista, um candidato precisa do apoio de pelo menos 20% dos deputados do partido na Câmara dos Comuns.
Com maioria absoluta, os trabalhistas contam com 403 parlamentares, o que significa que um postulante à liderança precisa do respaldo de 81 deles.
Durante a campanha, Burnham repetiu que o Partido Trabalhista "precisa mudar", depois de ter criticado Starmer em várias ocasiões.
Desde que chegou ao poder, a popularidade de Starmer, de 63 anos, tem diminuído em meio à estagnação econômica e ao aumento do custo de vida.
A isso se somou a polêmica nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington, apesar de seus vínculos com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
O governo trabalhista, que em 2024 encerrou 14 anos de administrações conservadoras, sofreu um duro revés nas eleições municipais de maio. Vários ministros também deixaram seus cargos, incluindo o ministro da Defesa, que renunciou na semana passada por divergências sobre o orçamento militar.
Makerfield, com cerca de 76 mil eleitores, reúne um conjunto de pequenas cidades historicamente ligadas à mineração.
- Oferta de Starmer -
Na quarta-feira (17), Starmer tentou conter uma possível disputa por sua liderança e sugeriu que poderia convidar Burnham para integrar sua equipe ministerial caso ele seja eleito deputado.
"Andy é um grande trunfo. E sim, quero que ele tenha um papel importante no governo", declarou o primeiro-ministro.
Starmer insistiu que pretende permanecer no cargo apesar dos resultados desfavoráveis nas pesquisas.
"Se houver um desafio, pretendo lutar", afirmou.
Outro nome apontado como possível sucessor de Starmer é o ex-ministro da Saúde Wes Streeting, que renunciou em maio.
Streeting deixou o governo uma semana após o Partido Trabalhista perder quase 1.500 vereadores nas eleições municipais, marcadas pelo forte avanço do Reform UK.
Em sua carta de renúncia, Streeting, representante da ala à direita dos trabalhistas, afirmou ter "perdido a confiança" na liderança de Starmer.
As seções eleitorais abriram em Makerfield às 7h00 locais (3h00 no horário de Brasília) e fecharão às 22h00 (18h00 em Brasília).
Os resultados da votação, considerada crucial para o futuro político de Starmer, devem ser conhecidos nas primeiras horas de sexta-feira.
E.Narula--BD