Hezbollah diz que Líbano vive 'momento decisivo' após acordo Irã-EUA
O secretário-geral do movimento pró-Irã Hezbollah, Naim Qassem, pediu nesta quarta-feira (17) que as autoridades libanesas aproveitem "o momento decisivo" do acordo entre Irã e Estados Unidos.
O Líbano mantém desde abril negociações diretas com Israel, que o Hezbollah rejeita e que Beirute desvinculou das negociações entre americanos e iranianos. Uma nova rodada de negociações com Israel está prevista para a próxima semana.
O presidente libanês, Josef Aoun, ressaltou hoje que "o processo de negociação" com Israel é "independente" do acordo entre Estados Unidos e Irã, que visa a encerrar a guerra desencadeada por ataques israelenses e americanos contra a república islâmica em fevereiro. O Líbano entrou no conflito em 2 de março, quando o Hezbollah atacou Israel em resposta à morte do líder iraniano, assassinado dois dias antes.
Em um discurso na TV, Naim Qassem felicitou "o povo iraniano, a resistência e os povos (...) sedentos de independência e liberdade por esta grande vitória" e pediu que ela seja "aproveitada" no Líbano para "expulsar Israel" do território.
Nesse sentido, afirmou que as negociações do Líbano com Israel deveriam se limitar à "segurança mútua" e rejeitou incluir o desarmamento do grupo xiita entre as condições, por considerá-lo uma "estratégia israelense para ficar com tudo e arruinar o país".
Uma quinta rodada de negociações entre Líbano e Israel está prevista para a próxima semana, em Washington. Os dois países não mantêm relações diplomáticas.
"As garantias que recebemos e no que insistimos é em que o processo de negociação é independente, embora, sem dúvida, apoiemos o cessar-fogo e qualquer país que nos ajude, incluindo o Irã", disse Aoun. "O Estado libanês é dono de suas decisões e, pela primeira vez, conduz as negociações por conta própria, sem que ninguém negocie em seu nome."
Naim Qassem destacou que "a principal exigência" do Líbano deve ser o restabelecimento da soberania no sul de seu território, invadido por tropas israelenses. "Tudo o que estiver relacionado à organização de nossa situação interna, seja a questão das armas, da economia, da estratégia de segurança nacional ou da estratégia de defesa... tudo deve ficar completamente fora das negociações", declarou.
Desde o anúncio do acordo entre Teerã e Washington, o Hezbollah reduziu a frequência de seus ataques contra o exército israelense. Os ataques de Israel também diminuíram, mas causaram cinco mortes desde segunda-feira, segundo um veículo estatal.
P.Raval--BD