Autoridade islâmica da Indonésia proíbe homens de usar "roupa feminina" para celebrar independência
A máxima autoridade religiosa islâmica da Indonésia proibiu os homens de usar "roupas femininas" durante as celebrações da independência em 17 de agosto, apesar de, tradicionalmente, alguns jogarem futebol usando vestidos na ocasião.
Em um contexto de crescente sentimento anti-LGBT+ nesse país do Sudeste Asiático de maioria muçulmana, o influente e autoritário Conselho de Ulemás da Indonésia declarou, em um comunicado, que tal comportamento era "haram", ou seja, proibido.
O órgão afirmou que, com isso, pretende "impedir a campanha clandestina do movimento LGSP (Lésbicas, Gays, Sodomia e Obscenidade)", deturpando a sigla LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros).
Todos os anos, os indonésios participam de jogos e desfiles para celebrar a declaração de independência do país, em 17 de agosto de 1945, que pôs fim a séculos de colonização pelos Países Baixos.
Alguns homens vestem vestidos e um hijab para jogar futebol, uma tradição considerada cômica e que não representa uma tomada de posição sobre a identidade de gênero.
No entanto, a Comissão de Fatwas do Conselho de Ulemás da Indonésia considerou, na semana passada, que "considera-se que o recrudescimento de atos desviantes, como o fato de homens usarem roupas femininas, deu origem a violações da sharia e das normas sociais".
Essa advertência ocorre após uma onda de violência física contra pessoas homossexuais e um decreto presidencial que classifica a "cultura LGBT+" como uma ameaça à segurança do Estado.
G.Vaidya--BD