Chanceler do Irã segue para Rússia, sem perspectivas de diálogo com EUA
O chanceler iraniano Abbas Araghchi viajou neste domingo (26) à Rússia, no momento em que os esforços de paz entre Teerã e Washington estão por um fio, após o fracasso das negociações no Paquistão sobre o fim da guerra no Oriente Médio.
Araghchi voou para Moscou após passar por Paquistão e Omã no fim de semana, no âmbito dos esforços diplomáticos de países mediadores entre Irã e Estados Unidos para reativar os diálogos de paz.
O ministro iraniano retornou neste domingo ao Paquistão, menos de 24 horas depois de sua visita de sábado, após uma viagem a Omã, e agora está a caminho de Moscou para se reunir com o presidente russo Vladimir Putin, segundo o embaixador iraniano na Rússia.
No entanto, não há indícios de que as conversas diretas entre Estados Unidos e Irã serão retomadas.
As primeiras negociações entre Washington e Teerã ocorreram há duas semanas em Islamabad, após a implementação de um cessar-fogo em 8 de abril, que está sendo mantido.
As repercussões do conflito no Oriente Médio seguem abalando a economia global.
Como medida de pressão, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, o que impediu o trânsito de grandes quantidades de petróleo, gás natural e fertilizantes, e gerou um aumento vertiginoso dos preços de energia que mantém em alerta os governos de todo o mundo.
Antes das reuniões entre Irã e Paquistão realizadas no sábado em Islamabad, a Casa Branca havia anunciado que o genro de Trump, Jared Kushner, e o enviado americano, Steve Witkoff, viajariam ao Paquistão para dar continuidade às negociações.
No entanto, Trump se recusou a permitir que eles fizessem uma longa viagem de avião para conversas que, segundo ele, poderiam ser conduzidas por telefone.
A agência iraniana FARS informou que Teerã transmitiu, através do Paquistão, "mensagens escritas" aos Estados Unidos relativas a "algumas das linhas vermelhas" da República Islâmica, incluindo questões sobre o programa nuclear e o Estreito de Ormuz.
Araghchi "se reunirá com o presidente Vladimir Putin durante sua visita a Moscou", informou neste domingo a agência estatal iraniana ISNA, que citou o embaixador do Irã na Rússia, Kazem Jalali.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia confirmou a visita do chanceler iraniano, sem fornecer mais detalhes ou especificidades sobre se ele se reunirá com Putin.
- 'A estratégia definitiva' do Irã -
Descontente com a posição de Teerã, o mandatário republicano afirmou que não faz sentido "falar sobre nada".
Trump declarou neste domingo ao canal americano Fox News: "Eu disse: já não vamos fazer isso. Temos todas as cartas nas mãos. Se eles [os iranianos] quiserem conversar, podem vir nos ver ou nos telefonar. Já sabem que há um telefone, temos boas linhas seguras."
O presidente americano está sob pressão crescente em um ano de eleições legislativas de meio de mandato pelo aumento dos preços dos combustíveis causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz por parte do Irã.
A Guarda Revolucionária iraniana declarou que "controlar o Estreito de Ormuz e manter a sombra do seu efeito de dissuasão sobre os Estados Unidos e os aliados da Casa Branca na região é a estratégia definitiva do Irã islâmico".
Em retaliação, os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos.
Agora, Trump também enfrenta turbulência em Washington, depois que um atirador foi detido durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca.
- Mais de 2.500 mortos no Líbano -
Na frente libanesa da guerra, Israel e Hezbollah culparam-se mutuamente de violações do cessar-fogo que vigora desde 17 de abril e foi prorrogado esta semana.
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu ordenou ataques contra o movimento islamista apoiado pelo Irã.
"É preciso entender que as violações do Hezbollah estão, na prática, desmantelando o cessar-fogo", declarou Netanyahu.
O grupo xiita libanês rejeitou a acusação e afirmou que continuará respondendo ao descumprimento do cessar-fogo por Israel e à ocupação do sul do Líbano.
O Ministério da Saúde libanês informou que 14 pessoas, entre elas duas crianças, morreram neste domingo em ataques israelenses no sul do país.
O Exército israelense, por sua vez, ordenou a evacuação dos moradores de sete vilarejos e informou que um de seus soldados tinha morrido e que outros seis ficaram feridos na área.
Depois dos alertas emitidos pelo Exército de Israel para evacuar áreas do sul, antes dos bombardeios, os correspondentes da AFP presenciaram um êxodo maciço e congestionamentos intermináveis de pessoas que tentavam fugir para o norte do Líbano.
O total de falecidos pela ofensiva israelense que começou em 2 de março após um ataque do Hezbollah supera os 2.500 mortos.
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V.Upadhyay--BD