Bombeiros combatem incêndio em refinaria do Kuwait após ataque iraniano
Os bombeiros lutavam nesta sexta-feira (20) contra um incêndio em uma refinaria no Kuwait provocado por ataques do Irã, onde um bombardeio provocou a morte do porta-voz da Guarda Revolucionária.
O conflito, que já dura três semanas, não mostra qualquer sinal de trégua e afeta a atividade mundial, com temores de uma crise econômica de grande magnitude.
O ataque contra a refinaria kuwaitiana de Mina Al Ahmadi, que já havia sido atingida em outra ofensiva, não deixou vítimas, mas provocou o fechamento de várias unidades do complexo, segundo a agência oficial do Kuwait.
Os Emirados Árabes Unidos afirmaram nesta sexta-feira que enfrentam ataques com mísseis e drones, enquanto o Bahrein controlou o incêndio de um armazém provocado por destroços de um projétil, procedentes de uma "agressão iraniana".
Vários drones também foram "interceptados e destruídos" na Arábia Saudita em apenas duas horas, segundo o ministro da Defesa.
- "Nenhuma preocupação" -
No Irã, a Guarda Revolucionária anunciou a morte de seu porta-voz em um ataque israelense-americano, o mais recente de uma longa lista de funcionários de alto escalão eliminados na guerra.
Ali Mohammad Naini "caiu como mártir durante o covarde ataque terrorista criminoso perpetrado ao amanhecer pelo campo americano-sionista", afirmou o influente exército ideológico do país em um comunicado.
O anúncio da morte de Naini aconteceu poucos minutos após a publicação de um comunicado assinado pelo porta-voz.
"Nossa indústria de mísseis merece uma nota perfeita... e não há nenhuma preocupação a este respeito, porque, mesmo em condições de guerra, continuamos com a produção de mísseis", afirmava a nota.
A mensagem foi uma resposta às declarações de quinta-feira do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
"Estamos vencendo e o Irã está sendo dizimado", declarou o chefe de Governo israelense. Netanyahu também disse que o Irã já "não tem mais a capacidade de enriquecer urânio e não tem mais a capacidade de produzir mísseis balísticos".
"Acredito que esta guerra terminará muito mais rápido do que as pessoas imaginam", acrescentou, mas sem definir um prazo.
Os ataques abalam a atmosfera festiva que deveria dominar a região por ocasião do Ano Novo persa, o dia de Noruz, assim como pelo fim do jejum do Ramadã na maioria dos países muçulmanos.
Nos mercados da capital iraniana, muitas pessoas compravam roupas e presentes, mas as ruas próximas estavam muito mais vazias que o habitual devido ao elevado número de moradores que fugiram da cidade, segundo correspondentes da AFP.
- Choque "econômico profundo" -
Em retaliação à ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel desde 28 de fevereiro, o Irã ataca diariamente interesses americanos nos países do Golfo, assim como as infraestruturas do setor de energia.
Com seu espaço aéreo dominado, o país responde com uma estratégia para tentar elevar o custo da guerra a valores exorbitantes com os ataques e o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde transitava 20% do comércio mundial de hidrocarbonetos antes do conflito.
O preço do petróleo disparou com a guerra. A cotação permanecia relativamente estável nesta sexta‑feira, mas com o barril de Brent, referência europeia, ao redor de 110 dólares.
"Os danos duradouros provocam um choque econômico profundo", disse Robert Pape, especialista militar da Universidade de Chicago.
"É assim que uma guerra regional pode se transformar em uma crise econômica mundial histórica", comentou.
O Catar calcula que sua capacidade de exportação de GNL foi reduzida em 17%, após os recentes ataques contra sua maior central de produção de gás natural liquefeito, em Ras Laffan.
Os bombardeios iranianos foram uma resposta aos ataques de Israel contra a instalação de South Pars/North Dome, a maior reserva de gás conhecida do mundo, compartilhada por Irã e Catar.
O presidente americano, Donald Trump, pediu a Israel que interrompa os ataques contra as infraestruturas de energia do Irã e Netanyahu disse que atenderia à solicitação.
Ao mesmo tempo, o mandatário republicano também ameaçou destruir "a totalidade do campo" de North Dome se o Irã prosseguisse com os ataques.
- Europeus "dispostos a contribuir" -
O Irã respondeu que não demonstrará "nenhuma moderação" caso as infraestruturas de energia sejam atacadas novamente, segundo o chanceler da República Islâmica, Abbas Araghchi.
Após um apelo dos Estados Unidos que inicialmente não recebeu resposta, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão anunciaram que estão "dispostos a contribuir", quando chegar o momento, aos esforços para garantir a navegação no Estreito de Ormuz.
Contudo, Paris, Roma e Berlim destacaram que a eventual participação será possível apenas com um cessar-fogo.
O presidente francês, Emmanuel Macron, mencionou a possibilidade de uma futura missão, no âmbito da ONU, após o fim das hostilidades.
Para acalmar o mercado de petróleo, os países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) começaram a liberar suas reservas estratégicas.
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W.Atwal--BD